terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O mal-estar docente: condição de trabalho e saúde entre professores

Todas as informações a seguir foram retiradas do blog de  (um sociólogo, pesquisador e professor da Universidade Estadual da Paraíba). (http://mamuteamarelo.blogspot.com/2011/04/o-mal-estar-docente-condicao-de.html)

 

Resenha produzida a partir de ZARAGOZA, José Manuel Esteve. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. Bauru, SP: EDUSC, 1999.

O mal-estar é um dos traços característicos da profissão docente na contemporaneidade. Ele é produto das dificuldades ou impossibilidades do professor em lidar com as problemáticas que estão presentes no cotidiano de seu trabalho. O que chamamos de mal-estar docente reflete, então, os sentimentos de angústia, desconforto e impotência do professor, resultantes da tensão gerada pela necessidade de ele intervir em situações que se colocam no cotidiano de sua prática, e as reais possibilidades dessa intervenção. O termo mal-estar é uma expressão empregada para descrever os efeitos permanentes de caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas e sociais em que se exerce a docência. Podemos dizer que um conjunto de fatores de ordem social e psicológica, presentes nas situações em que se exerce a docência, está produzindo o que podemos chamar de "ciclo degenerativo da eficácia docente". O mal-estar que acomete os professores pode se manifestar na forma de desinteresse pelo trabalho, apatia e desmotivação ou mesmo em alguns sintomas psicossomáticos como a fobia, a angústia e a síndrome de pânico. Os fatores ou indicadores da presença do mal-estar do educador podem ser classificados em dois tipos:

1. Os fatores primários: aqueles que incidem diretamente sobre a ação do professor em sala de aula, gerando tensões associadas a sentimentos e emoções negativas. Entre eles podemos sitar os recursos materiais e as condições de trabalho docente, a violência nas instituições escolares e a acumulação de exigências sobre o professor.

2. Os fatores secundários: referente ás condições ambientais, ao contexto em que se exerce a docência. Entre estes fatores podemos elencar a transferência de atividades sociais da comunidade e da família para os professores, a crise no sistema de valores (que valores transmitir ou questionar/), os múltiplos papeis exigidos dos professores, a falta de reconhecimento social, a modificação no status do professor com o rebaixamento salarial, o avanço do conhecimento e a necessidade de formação continuada, entre outros fatores. 

As consequências do mal-estar docente são inúmeras e afetam diretamente a eficácia profissional do docente e a sua saúde. Entre as consequências mais visiveis estão o absenteísmo, uma forma de buscar um alívio que permita ao professor escapar momentaneamente das tensões acumuladas em seus trabalho, e, em casos mais extremos, o abandono do magístério. O absenteísmo, por exemplo, aparece mais frequentemente nas licenças médicas, nas falta ao trabalho e nos pedidos de transferência. A saúde física e mental dos professores também é afetada por causa das tensões e contradições acumuladas na profissão. Os principais sintomas de deterioração da saúde mental são o esgotamento, o cansaço  mental, a ansiedade e o estresse, a depressão e as neuroses reativas. Quanto à deteriorização da saúde física aparecem principalmente os problemas na voz e de garganta, os problemas digestivos, cardiovasculares e os problemas oftalmológicos e dermatológicos. 

Deixo para os leitores a sujestão de alguns artigos que discutem a temática do mal-estar entre os professores. O primeiro se chama "Doença e exaustão emocional", escrito por Eduardo J. F. B dos Reis, Tânia Maria de Araújo e outros, pesquisa feita com professores da rede municipal de Vitória da Conquista-BA. O segundo artigo, entitulado "Sintomas de Stress em Professores Brasileiros", escrito por Maria das Graças Teles Martins discute os sintomas físicos e psicológicos de stress encontrados em professores das primeiras séries do ensino fundamental em escolas públicas estaduais de uma cidade brasileira.
1. Doença e exaustão emocional - Resumo: um estudo epidemiológico transversal com todos os 808 professores da Rede Municipal de Ensino de Vitória da Conquista, Bahia, encontrou elevadas prevalências de queixas de cansaço mental (70,1%) e de nervosismo (49,2%). Diversos fatores de risco associaram-se a cansaço mental e a nervosismo: idade ≥ 27 anos, ser mulher, ter filhos, escolaridade média, lecionar ≥ 5 anos, vínculo de trabalho estável, trabalho em zona urbana, carga horária semanal ≥ 35h, renda ≥ 360 reais, sobrecarga doméstica média/alta, não ter atividades de lazer, alta demanda no trabalho e baixo suporte social. A classificação do trabalho docente, segundo o Modelo Demanda-Controle de Karasek, revelou os quadrantes “baixa exigência” (40,3%) e “trabalho ativo” (39,7%), ambos com alto controle das atividades por parte dos professores. Professores em trabalho de “alta exigência” e “trabalho ativo” apresentaram prevalências de cansaço mental e denervosismo mais elevadas que aqueles de “baixa exigência”.

Clique aqui para baixar o texto:
http://www.scielo.br/pdf/es/v27n94/a12v27n94.pdf

2. Sintomas de Stress em Professores Brasileiros - Resumo: o presente artigo pretende refletir e destacar os principais sintomas físicos e psicológicos de stress encontrados em professores das primeiras séries do ensino fundamental em escolas públicas estaduais de uma cidade brasileira. Exercer a atividade docente implica, para o professor, ter uma ocupação que exige certo grau de habilidade, preparo e conhecimento atualizado, ao mesmo tempo em que este profissional necessita praticar ações que desenvolvam as habilidades cognitivas, afetivas e sociais. A análise dos resultados obtidos indica que os sintomas de stress estão presentes na maioria dos professores, prevalecendo o stress na fase de resistência. A sintomatologia predominante foram os sintomas psicológicos, na qual se apresentam como mais significativos: a irritabilidade excessiva, pensar constantemente em um só assunto e sensibilidade emotiva excessiva. Na área física, os sintomas mais presentes foram: cansaço constante, sensação de desgaste físico constante e problemas com a memória.

Postado por:
Meryglaucia Silva Azevedo
Graduanda do 7° Período em Pedagogia-UFCG
Bolsista do Programa de Educação Tutorial-PET

Baixe o artigo aqui:

Deixo também algumas referências bibliográficas sobre o tema. Você pode consultar http://www.estantevirtual.com.br/ e ver o que o portal dispõe sobre mal-estar, trabalho docente e saúde de professores.

JESUS, Saul Neves de. Professor sem stress: realização e bem-estar docente. Porto Alegre: Mediação, 2007.
MARCHESI, Álvaro. O bem estar dos professores: competências, emoções e valores. Porto Alegre: Artmed, 2008.
SILVA, Paulo Sérgio. Saúde mental do professor. São Paulo: Expressão & Arte Editora: Edifieo, 2006
ULRICH, Elizabeth; KUBO, Olga Mitsue. Estresse e trabalho docente: um estudo das percepções de professores universitários sobre suas relações profissionais e estresse. União da Vitória: Uniuv, 2008.
ZARAGOZA, José Manuel Esteve. O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. Bauru, SP: EDUSC, 1999.
PASCHOALINO, Jussara B.de Q. O professor desencantado: matizes do trabalho docente. Belo Horizonte: Armazém de idéias, 2009.

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