terça-feira, 27 de agosto de 2013

Acesso à educação : Lei nº 12.816, de 5 de Junho de 2013



    



      A  Lei nº 12.816, de 5 de Junho de 2013, permite, às prefeituras, bancarem transporte escolar para estudantes universitários, mas isso depende de normatização no âmbito municipal. Abaixo, o artigo/parágrafo que mostra os aspectos que devem ser adotados pelos municípios, para que os estudantes universitários tenham acesso ao transporte escolar. 

Lei nº 12.816, de 5 de Junho de 2013
Art. 5º A União, por intermédio do Ministério da Educação, apoiará os sistemas públicos de educação básica dos Estados, Distrito Federal e Municípios na aquisição de veículos para transporte de estudantes, na forma do regulamento. 


     Parágrafo único. Desde que não haja prejuízo às finalidades do apoio concedido pela União, os veículos, além do uso na área rural, poderão ser utilizados para o transporte de estudantes da zona urbana e da educação superior, conforme regulamentação a ser expedida pelos Estados, Distrito Federal e Municípios.






Postado por : 
Bruna Diniz e Tatiana Leite.
Graduandas do Curso de Pedagogia e Bolsista do Programa de Educação Tutorial-PET.





BIOGRAFIA DO ESCRITOR E ILUSTRADOR ANDRÉ NEVES


André Neves nasceu em Recife e mora em Porto Alegre, onde trabalha pesquisando, escrevendo e ilustrando livros infantis. Formado em Relações Públicas e em Artes Plásticas, que começou a estudar em 1995. Desde então, atua como escritor e ilustrador de suas obras e de outros autores. É arte-educador e promove palestras e oficinas sobre Literatura Infantil e Juvenil. Desde 1998, vem desenvolvendo trabalhos como autor, ilustrador e arte-educador. Participou do curso de ilustração para infância em Sarmede, na Itália. Em 2002, seu trabalho como ilustrador do livro “Sebastiana e Severina” foi selecionado para a mostra itinerante “XX Mostra Internazionale d’ Illustrazione per I’infanzia Stepan Zavrel” na Itália, onde percorreu várias cidades para colorir os olhos de muitas crianças. Pelos seus trabalhos, foi agraciado pela FNILJ – Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil com o Prêmio Luis Jardim (Melhor Livro de Imagem) e recebeu menções de “Altamente Recomendável”
Depois de formado, André Neves viaja por todo o Brasil para desenvolver sua verdadeira paixão: desenhar para crianças.
É autor e ilustrador dos livros infantis: “Um pé de vento”; “Caligrafia e Dona Sofia”; “Colecionador de Pedras”; “O enigma das caixas”; Menino chuva na rua do sol”; ” Mestre Vitalino”; “O ovo e vovô”; “A seca”; “O segredo da arca de Troncoso”; “Uma história sem pé nem cabeça”; “Vira, vira, vira lobisomem”; “Maria Peçonha”; “Sebastiana e Severina”, “Lino”, entre outros.
As ilustrações do premiado André Neves são coloridas e harmoniosas, dando vida à poesia presente no texto. 

Algumas de suas obras:



Vanessa Barbosa da Silva e Kilma Wayne S. de Sousa
Graduandas em Licenciatura em Pedagogia - UFCG
Bolsistas do Programa de Educação Tutorial - PET

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Normas da ABNT para a Elaboração de Trabalhos Acadêmicos 2013

As Normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) tem  como objetivo padronizar a elaboração de trabalhos acadêmicos (TCC, dissertações, teses, artigos e pôsteres). Lidar com essas normas é comum na vida acadêmica, universitária e de alguns cursos técnicos, porém aplicá-las demanda tempo e paciência. Encontrar tais Normas disponíveis de forma organizada na internet é uma tarefa demorada e cansativa além da constante adequação destas Normas de acordo com a sua necessidade. O primeiro obstáculo está resolvido nesta postagem na qual elas estão compiladas. Já o segundo depende exclusivamente da dedicação e vontade de fazer um trabalho padrão, zelando pela qualidade e consequentemente uma aprovação teórica do conteúdo.


Acesse as normas no link:

Postado por:
Juliana Vasconcelos
Graduanda em Licenciatura em Pedagogia - UFCG
Bolsista do Programa de Educação Tutorial - PET

terça-feira, 13 de agosto de 2013


Documentário: Minicurso Educação ambiental na escola



Para assistir o documentário 
Uma verdade inconveniente 



Do diretor Davis Guggenheim, Uma Verdade Inconveniente é um olhar apaixonado e inspirador em cruzada ardente ex-vice-presidente Al Gore para travar o progresso mortal do aquecimento global, expondo os mitos e equívocos que a rodeiam. Neste retrato íntimo de Gore e sua "viagem show de aquecimento global", Gore aparece como nunca antes na mídia - engraçado, envolvente, aberto e com a intenção de alertar os cidadãos para esta "emergência planetária" antes que seja tarde demais.
Intercaladas com os fatos órtese e previsões futuras é a história da jornada pessoal de Gore: de um estudante universitário idealista que viu pela primeira vez uma enorme crise ambiental iminente, para um jovem senador enfrentando uma tragédia familiar angustiante que alterou sua perspectiva, para o homem que quase se tornou Presidente mas voltou para a causa mais importante de sua vida. Com ênfase na esperança, Uma Verdade Inconveniente , finalmente, nos mostra que o aquecimento global não é mais uma questão política, mas sim, o maior desafio moral de frente para a nossa civilização hoje.
Depois de ter sua estréia nos EUA em 2006 o Sundance Film Festival e estréia internacional no Festival de Cannes, Uma Verdade Inconvenienteaberto para comentários e audiências entusiastas em toda parte. Um grande sucesso, o filme passou a ganhar o Oscar ® de Melhor Documentário e Melhor Canção. Ele também se tornou um fenômeno global, um dos maiores documentários de maior bilheteria de todos os tempos com uma audiência mundial estimada em 5 milhões de pessoas.

O Impacto

O impacto de Uma Verdade Inconveniente é sem precedentes. Desde o seu lançamento em 2005, o filme ajudou a estimular os governos, líderes, organizações e indivíduos em todo o mundo a tomar medidas contra o aquecimento global. Mais de um bilhão de pessoas já estão conscientes do problema e foram motivados a agir.

Saiba mais sobre alguns desses acontecimentos históricos:

  • Mais de 106 mil toneladas de carbono foram compensadas no ano seguinte o lançamento do filme, o que é equivalente a 225 milhões milhas de carro.
  • 4200 + de toneladas de carbono foram compensadas apenas por pessoas swtiching para lâmpadas fluorescentes compactas.
  • Mais de 15 projetos de mudanças climáticas têm sido introduzidas no Congresso, com o histórico Waxman-Markey Bill passagem pela Câmara em junho de 2009.
  • Cinco países - Inglaterra, Escócia, República Checa, Nova Zelândia e Alemanha - e da província canadense de British Columbia incorporados Uma Verdade Inconveniente em suas escolas "currículos do ensino secundário.
  • Presidente Obama criou o novo cargo de Assistente do Presidente do Clima e da Energia.
  • Os Estados Unidos Câmara dos Deputados criou uma Comissão Especial sobre Independência Energética e Aquecimento Global.
  • O Senado dos EUA estabeleceu uma Comissão Especial na independência energética e aquecimento global.
  • Mais de 2.600 pessoas foram treinadas para dar a apresentação do projeto Clima e 4 milhões de pessoas em todos os sete continentes ter ouvido a apresentação.
  • A questão do aquecimento global atingiu mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.
  • Percepção pública mudou: 33% das pessoas entrevistadas antes do lançamento do filme acreditava aquecimento global é real contra 85%, após o lançamento do filme (que figura desde então tem diminuído).

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ziraldo e sua obra FLICTS.

FLICTS é um livro do escritor e cartunista brasileiro Ziraldo, direcionado ao público infantil. Além do texto escrito, as ilustrações do livro também são de Ziraldo. O livro foi publicado inicialmente pela editora Expressão e Cultura em julho de 1969 [capa 1]. Mas depois passou a ser publicado pela editora Melhoramentos dentro da série Mundo Colorido, [capa 2] [capa 3] que tem outros livros escritos e desenhados por Ziraldo que mencionam cores. Em 2009, a editora Melhoramentos lançou uma edição comemorativa dos 40 anos da publicação da obra. [capa 4] Essa nova edição apresenta a história na íntegra, como na primeira edição, com todas as cores, formas, espaços e versos criados por Ziraldo naquela ocasião. 

O livro narra  a busca de uma cor rara, chamada Flicts, pelo seu lugar no mundo. O livro começa comparando-o com outras cores e, assim, mostra que ele não tinha a força do Vermelho, nem a imensidão do Amarelo e nem a paz do Azul. "Era apenas o frágil, feio e aflito Flicts". E Flicts sai no mundo procurando desesperadamente alguém que o aceite e o acolha. Durante essa busca, ele descobre que não tem lugar para ele na caixa de lápis de cor, nem nas bandeiras ou brasões dos países e nem muito menos no arco-íris. Dessa forma, ele continua a sua busca por alguém que queira ser seu amigo e por um lugar que o acolha.

Nas páginas de FLICTS os olhos da criança passeiam por linhas, cores e um texto poético e sublime que deu a Ziraldo passe livre para escrever para crianças. Chega a dar pena do pobre Flicts, em busca de um local para se instalar, de um amigo, de um suporte para espalhar seu tom. Durante esta procura, ele revela ao leitor que o mundo é feito basicamente de cores, e que elas todas possuem um coração, revelam sentimentos e emoções. Por mais diferente que se sinta, o raro Flicts vai encontrar seu lugar. Ainda que seja bem distante do mundo das cores mais conhecidas, mas não mais belas do que ele.


Que tal descobrir o lugar que Flicts encontrou? Aventure-se junto com Flicts pelo mundo que é cheio de cores.

Capa 1.

Capa 2.

Capa 3.

Capa 4.


UM POUCO SOBRE A BIOGRAFIA DE ZIRALDO.



         Ziraldo Alves Pinto nasceu no dia 24 de outubro de 1932, em Caratinga, Minas Gerais. Começou sua carreira nos anos 50 em jornais e revistas de expressão, como Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Folha de Minas, etc. Além de pintor, é cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor. 

A fama começou a vir nos anos 60, com o lançamento da primeira revista em quadrinhos brasileira feita por um só autor: A Turma do Pererê. Durante a Ditadura Militar (1964-1984) fundou com outros humoristas O Pasquim - um jornal não-conformista que até hoje nos deixa saudades. Seus quadrinhos para adultos, especialmente The Supermãe Mineirinho - o Comequieto, também contam com uma legião de admiradores. 

Em 1969 Ziraldo publicou o seu primeiro livro infantil, FLICTS, que conquistou fãs em todo o mundo. A partir de 1979 concentrou-se na produção de livros para crianças, e em 1980 lançou O Menino Maluquinho, um dos maiores fenômenos editoriais no Brasil de todos os tempos. O livro já foi adaptado com grande sucesso para teatro, quadrinhos, ópera infantil, videogame, Internet e cinema. 

Os trabalhos de Ziraldo já foram traduzidos para diversos idiomas, como inglês, espanhol, alemão, francês, italiano e basco, e representam o talento e o humor brasileiros no mundo. Estão até expostos em museu! Ziraldo ilustrou o primeiro livro infantil brasileiro com versão integral on-line, em uma iniciativa pioneira. Conheça mais detalhes sobre a sua biografia e visite a sua galeria de fotos! 


Fontes: 

http://fichinhasdelivros.blogspot.com.br/2010/06/flicts-ziraldo-1969.html



Postado por: 

Juliana Vasconcelos de Andrade &
Vanderléia Lucena Meira
Graduandas em Licenciatura em Pedagogia - UFCG
Bolsistas do Programa de Educação Tutorial- PET





ontem
Eu era assim

quase
Fiquei quase assim

hoje
Hoje estou assim...







quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Minicurso: Educação Ambiental na Escola



O PET-Pedagogia pede desculpa pelo desencontro de informação OCORRIDO na última segunda-feira (05/08/2013). 
Gostaríamos de informar aos participantes que na próxima segunda-feira (12/08/2013) NÃO haverá minicurso presencial. Será disponibilizado para os participantes o documentário QUE SERIA EXIBIDO NO ÚLTIMO ENCONTRO DO MINICURSO. 

MANDAREMOS um email com mais informações.

Pesquisa: Alunos e professores têm visões distintas da internet

Estudo desenvolvido na FFCLRP (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto) da USP evidencia a distância de compreensão que estudantes, com idade entre 15 e 18 anos, e professores da rede pública têm das finalidades do uso da internet.
O autor da pesquisa, o psicólogo Fabiano Simões Corrêa, concluiu em maio o mestrado "Um estudo qualitativo sobre as representações utilizadas por professores e alunos para significar o uso da internet", que levou três anos para ser desenvolvido. Mas, para o pesquisador, se o levantamento fosse feito nos dias atuais, o resultado poderia ser outro. A constatação é o reflexo da velocidade e do impacto que esse "meio de comunicação" vem causando nas relações da sociedade.
Corrêa comenta que um aspecto interessante da aprendizagem para o aluno é que quando você pergunta para ele qual a diferença de aprender na escola e aprender na internet, e ele responde que na internet é tudo muito rápido, muito direto. "Ele vai na informação de uma forma prática. O aluno tem muito essa percepção, essa representação da internet, que ela é um instrumento muito bom por ser direta e rápida."
Já os professores revelaram o lugar paradoxal em que se tornou o espaço escolar. Há um lado de discurso hegemônico de que a escola deveria se atualizar com a absorção das novas tecnologias da informação, mas que carece de investimentos concretos, e da negatividade da internet que rotula a utilização pelos alunos como "superficial".
O estudo foi realizado sob a orientação do professor Sérgio Kodato, e teve o objetivo de contribuir com reflexões que auxiliem as práticas pedagógicas e didáticas capazes de subsidiar políticas públicas de inclusão digital, em instituições públicas de ensino. A pesquisa foi feita em uma escola pública da cidade de Ribeirão Preto. No local, havia mais de dois mil alunos, mas apenas 20 computadores para os estudantes e salas de aula sem acesso à internet.

Certo medo da internet

Para Corrêa, o professor tem certo medo da internet, pois ninguém fala muito bem para ele como deve utilizá-la. "O medo está neste aspecto. Não acho que o professor tenha medo de ser substituído pela internet, o medo é na verdade um sentimento de impotência de não estar muito claro como é que se utiliza a internet na escola. Precisamos de mais pesquisa nessa direção, para indicar os caminhos."
Segundo a pesquisa de Corrêa, na visão da maioria dos professores e mesmo no senso comum escolar, o estudante fica somente dedicado às redes sociais com coisas que são consideradas fúteis. Mas na prática, o uso dessas ferramentas podem ser positivas. "O aluno usa de forma predominante as redes sociais, mas por meio das redes ele consegue se comunicar, muitas vezes produzir conhecimento, produzir relações produtivas, divulgar o pensamento dele, se expressar politicamente, ajudando a construir uma inteligência coletiva."
Observando a distância entre as visões do "estudante" e do "professor", Corrêa destaca a reprodução do conflito entre os mundos dos adultos e dos adolescentes. "Nós, os mais adultos, tendemos a olhar a utilização da internet como superficial porque ela é diferente do que a gente conhece", afirma. "Estávamos mais acostumados a nos relacionarmos com os veículos de comunicação de massa como o rádio e a televisão e não temos muitas vezes a capacidade de entender o que é esse fenômeno de comunicação em rede que eles, adolescentes, estão fazendo."
Lembrando a velocidade com que os temas se multiplicam nas redes sociais, o pesquisador sugere mais estudos sobre o tema. "Não podemos ficar nesse viés do senso comum de que a internet aliena, de que não é legal, é fútil", recomenda. "Vide o que aconteceu recentemente com as manifestações que lotaram as ruas. Grande parte dessa força, dessas manifestações foi graças à comunicação que aconteceu via internet, das redes sociais. Acho que surpreendeu muita gente." Segundo o pesquisador, "talvez hoje, se refizéssemos essa pesquisa, os resultados seriam um pouco diferente, talvez isso já tenha mudado um pouco a representação desse senso comum que a internet é algo fútil."

Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/08/08/pesquisa-alunos-e-professores-tem-visoes-distintas-da-internet.htm

Postado por:
Elizângela França
 Meryglaucia Azevedo
Graduandas em Licenciatura em Pedagogia - UFCG
Bolsistas do Programa de Educação Tutorial - PET


terça-feira, 6 de agosto de 2013

O que será escrito em agosto

Hamilton Octavio de Souza

O que será escrito em agosto

Ainda é prematuro saber se efetivamente avançamos e mudamos após as manifestações nas ruas. Mas descobertas estão registradas: os monopólios da mobilização foram derrubados; ficaram expostos vários tigres de papel; a rebeldia funda novo ciclo de reflexão e de organização política.

Entramos em agosto com a agenda cheia de manifestações, pelo terceiro mês consecutivo. E a força das ruas muda o jogo político a todo o momento, nos atores em cena e no peso das forças em disputa, nos discursos e na criação do novo. É claro que se avança na politização, na conquista do espaço público, no saldo organizativo e nas formas de luta. Tudo é experiência e tudo é aprendizado, para a grande maioria que descobriu o sentido maior da ação coletiva.

Já é possível registrar mil lições em 60 dias de reivindicações e protestos. Mas ainda é prematuro saber se efetivamente avançamos e mudamos, se ganhamos e se consolidamos as conquistas. Mesmo porque a história não acabou, o assunto não morreu, tudo ainda depende do que vai acontecer nos próximos dias e meses, nas ruas e nos palácios, nas ações do que transforma e nas reações da ordem estabelecida.

As descobertas estão registradas: o descontentamento existe por mil razões; as vozes das ruas tiveram de ser ouvidas; os monopólios da mobilização foram derrubados; ficaram expostos vários tigres de papel; a rebeldia funda novo ciclo de reflexão e de organização política; a inclusão das novas gerações se impõe apesar da resistência conservadora das oligarquias e dos grupos dirigentes acomodados nos aparelhos do poder.

É preciso alinhavar os tópicos desse presente – que começou há bastante tempo, deu as caras em junho e não tem data para ingressar no passado.

1) As ruas pedem mais atenção das autoridades e mais investimentos dos governos em políticas públicas de transportes coletivos, educação, saúde, moradia e segurança; querem ações concretas, já, sem mais delongas; querem também o fim da corrupção e das farras com o dinheiro público.

2) As ruas pedem que o Estado respeite as liberdades democráticas para todos, que se garanta o direito de manifestação e que a polícia pare de reprimir os pobres, os trabalhadores e todos aqueles que postulam mudanças nos costumes, como a descriminalização das drogas, direito ao próprio corpo etc.

3) O descrédito dos políticos e dos partidos atinge indistintamente todas as instituições e reforça a tendência contra o atual sistema representativo e pelo aumento da abstenção eleitoral, os votos brancos e nulos e o voto útil nos candidatos menos piores, por falta de alternativas confiáveis e coerentes entre discurso e prática.

4) As manifestações chamam a atenção para a inoperância dos governos em relação aos problemas que causam sofrimento reiteradamente às populações urbanas, em especial no que diz respeito à precariedade dos serviços públicos.

5) As manifestações aguçam a visão crítica da população e ampliam a crise de credibilidade dos governantes, nos níveis municipal, estadual e federal; tanto é que todas as pesquisas de opinião registram a baixa popularidade dos governantes.

6) A queda de popularidade dos governos provoca reações tanto para responder como para atender as demandas das ruas, e também para estabilizar a governabilidade, recompor bases políticas estremecidas e para refazer alianças com vistas às eleições de 2014.

7) O governo federal, além de sofrer queda de aprovação em setores médios e populares, sofre com dissensos na sustentação parlamentar e partidária, e corre o risco de desgaste na sustentação empresarial devido ao agravamento da crise econômica.

8) O governo Dilma acena com algumas medidas para atender as demandas das ruas (educação, saúde, transportes), mas não avança em reformas estruturais; deixa claro que não vai mexer na composição ministerial, não vai mexer no sistema de comunicação social, não endossa a aprovação de medidas reivindicadas por trabalhadores (redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, reforma agrária) e vai continuar com a privatização de portos, aeroportos, rodovias e petróleo.

9) O governo Dilma tenta envolver o Congresso Nacional e os partidos numa reforma política, mas não encontra respaldo tranquilo no conjunto do PT e nos partidos aliados; sabe que a crise política dos últimos dois meses animou eventuais concorrentes (Aécio Neves, Marina Silva e Eduardo Campos) para as urnas de 2014; partidos que integram o governo federal se articulam com outras coligações nos estados: é o caso de São Paulo em que PDT, PRB, PTB e PSB estão aliados com governo do PSDB.

10) O governo Dilma procura atacar o fantasma da crise econômica com medidas para atrair investimentos, aumentar o consumo e conter a pressão inflacionária, mas não consegue investimentos suficientes para sustentar índice de crescimento do PIB superior a 2%; o emprego e a indústria estão estacionados; as exportações perdem para as importações; indicadores apontam riscos com o aumento da inadimplência pessoal e empresarial; os bancos restringem os créditos.

11) A questão central do governo Dilma é “como recuperar o prestígio público e se manter em condições de disputa para ganhar o segundo mandato”; isso implica em mobilizar forças aliadas (partidos, sindicatos, movimentos sociais), fazer concessões sociais aos mais pobres sem comprometer modelo em funcionamento e, ao mesmo tempo, repactuar com empresariado e setores conservadores (aí sim com concessões para bancos, indústria, agronegócio e oligarquias), inclusive com tratamento preferencial para a mídia empresarial.

12) O projeto “continua Dilma” aposta evidentemente que o movimento das ruas possa refluir e/ou parar com o desgaste de seu governo; aposta que setores da esquerda do PT, sindicatos e movimentos sociais passem a trabalhar com a mesma lógica das eleições anteriores: na ausência de alternativa viável de candidatura de esquerda, todos vão preferir a reeleição de Dilma para evitar retrocesso (Aécio Neves) ou correr risco de aventura com outras candidaturas (Marina Silva e Eduardo Campos).

13) As ruas têm contribuído para uma experiência de conscientização que pode favorecer o campo das esquerdas, se a energia de contestação chegar a ser transformada em força política organizada; ainda é cedo para saber qual o saldo político desse processo; de um lado, não soma com os setores governistas, mas, de outro, também não parece descarregar força no bloco de partidos e organizações que já atuam no campo da esquerda combativa, como o PSOL, PCB, PSTU, PCO, PCR, LER etc; de qualquer forma, interessa para todas as correntes de esquerda recolocar nas ruas as pautas dos trabalhadores, dos estudantes e do “precariado” para a construção de um país justo, democrático e igualitário, inclusive para que se possa resgatar conquistas e direitos anulados nos vinte anos de políticas neoliberais.

14) Os setores das esquerdas que compõem as bases de sustentação do governo sabem que insistir em tais pautas, apostar nas mobilizações e acenar com reformas deliberadamente congeladas (política, agrária, tributária, comunicação social, previdenciária etc) significa risco de rompimento com as alianças conservadoras e de direita, pode significar o fim da aliança com as oligarquias e com o empresariado, pode resultar na debandada de parte do bloco de governo para outros projetos ainda não refutados pela opinião pública, como os de Marina Silva e de Eduardo Campos.

15) Assim, tudo indica que as forças de sustentação do governo Dilma tendem a evitar provocações com os setores conservadores e de direita; tendem a aceitar as imposições do empresariado, do capital e do mercado; e tendem a construir caminhos para conter as demandas populares das ruas sem fazer grandes mudanças, mas no máximo criar algumas ações que sejam suficientes para conter o avanço das manifestações ou que essas aconteçam num quadro de ordem e de absorção institucional.

16) Resta verificar o que o povo, nas ruas, tem a dizer agora em agosto, nos próximos meses e nas eleições de 2014. A história já está sendo escrita nas ruas. Só não vê quem não quer!

Fonte:http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=6219

Postado por:
Elizângela França
 Meryglaucia Azevedo
Graduandas em Licenciatura em Pedagogia - UFCG
Bolsistas do Programa de Educação Tutorial - PET
 

Antonio Gramsci

Todo Estado é uma ditadura.